Casamento igualitário nos EUA

A Suprema Corte dos Estados Unidos da América escreveu um novo capítulo sobre igualdade na história constitucional americana.
Em decisão apertada, decidida por 5 a 4, a Suprema Corte americana concluiu que as leis estudais daquele país que proibiam o casamento entre pessoas do mesmo sexo são inconstitucionais, e portanto, não poder ser aplicadas. Na prática, isso significa que casais gays podem casar formalmente em todo o território norteamericano. Com isso, os americano passam a figurar entre os países que garantem casamento igualitário, ao lado do Brasil.
Curioso é que, tanto no Brasil quanto nos EUA, os cidadãos dependeram do Judiciário para acabar com a distinção entre as famílias baseada na orientação sexual do seus integrantes, devido ao conservadorismo impregnado nas Legislativo dos dois países. A diferença é que o Brasil já figura no mapa do casamento igualitário desde 2011 e aqui a decisão foi tomada por unanimidade.
No Brasil, a concretização do direito à igualdade se deu em duas etapas. Primeiro, em 2011, o Supremo Tribunal Federal julgou procedente a ADPF 132 e a ADI 4277, em que decidiu que é inconstitucional qualquer lei ou interpretação que diferencie casais homoafetivos de casais heteroafetivos. Ou seja, a Constituição de 1988 não autoriza qualquer distinção entre as famílias formadas por pessoas de mesmo sexo e as formadas por famílias de sexos diferentes. Os efeitos jurídicos dessas uniões devem ser rigorosamente os mesmos. Ainda assim, alguns casais homoafetivos enfrentaram resistência em cartórios de registro civil para formalizar suas uniões. Em alguns casos, os cartórios alegavam que a decisão do STF  se restringia às uniões estáveis mas não alcançava os casamentos. Por conta disso, em 2013, o Conselho Nacional de Justiça editou a Resolução nº 175/2013, que obriga os cartórios de todo o país a registrar os casamentos entre pessoas do mesmo sexo.
Até hoje, passados 4 anos da constitucionalização das uniões homoafetivas no Brasil, algumas pessoas ainda se mostram revoltadas por essa decisão, porque entendem que se esse não é o modelo de família que pretendido por Deus, ou que não é. Em primeiro lugar, religião alguma pode impor seus valores aos indivíduos (crentes ou não) através de Estado laico. Em segundo, ainda que assumamos que os valores religiosos importam para a vida pública, essas pessoas não entenderam nada do Evangelho, em especial o principal ensinamento cristão que nos diz: amai o próximo como a ti mesmo.